O Homem Terminal

Mês passado a Azul Linhas Aéreas lançou uma promoção chamada Passaporte Azul. A pessoa que comprasse esse passaporte poderia viajar quantas vezes quisesse durante quase um mês para qualquer destino que a companhia voasse. Com essa oportunidade e esse passaporte, o jornalista Fabiano Rampazzo decidiu passar 25 dias viajando pelo país apenas com uma mala de mão no objetivo de avaliar a qualidade dos aeroportos brasileiros.

Nessa empreiteira, que começou no dia 28 de outubro em Campinas, Fabiano passou ou passará, na ordem, por Fortaleza, Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, Curitiba, Maceió, Navegantes, Vitória, Manaus, Campo Grande e Maringá, de onde volta para Campinas. Nesses 14 terminais ele pretende analisar os prós e contras de cada um deles, bem como os diferentes perfis de seus públicos, a qualidade dos guichês, dos banheiros e dos assentos, se dá para se alimentar bem, dormir ou tomar banho, se há farmácias, internet, bancos, achados e perdidos, correio. Em resumo, o que cada aeroporto tem pra oferecer.

Confesso que fiquei com um pouco de inveja dele. Deve ser uma experiência bem exótica. Se eu tivesse tempo e dinheiro, tenho quase certeza que toparia fazer algo parecido. A diferença é que eu só usaria o terminal pra dormir, e mesmo assim tentaria pegar uns voos de madrugada pra poder dormir no avião. Durante o dia, deixaria as malas em guarda-volumes e iria conhecer pelo menos um pouco de cada cidade.

Para quem quiser acompanhar essa aventura, o endereço do blog dele é o http://homemterminal.blog.terra.com.br/

Rio 40 graus, mostrando todas as suas faces

Semana passada estive no Rio de Janeiro para um simpósio e, pegando carona no post anterior de David, venho aqui compartilhar as minhas impressões sobre a cidade.

O Rio de Janeiro realmente é uma cidade maravilhosa. É impressionante como ela se adaptou bem ao relevo cheio de morros. Até as belas praias urbanas, com suas faixas de terra bem largas tem vista de morros para todos os lados. O Rio respeita os pedestres, nos domingos e feriados várias de suas avenidas são fechadas pra carros de modo que as pessoas possam desfrutar uma caminhada ou uma brincadeira com os filhos numa avenida na beira da praia, por exemplo. Além disso, as calçadas são limpas, largas e com rampas pra deficiente. O carioca é um povo muito prestativo, as pessoas se ofereciam para nos ajudar a chegar nos cantos. O carioca boêmio, gosta de andar na rua e comer fora. Também pudera, com uma cidade linda dessas quem ia querer ficar em casa? Eles andam na rua todas as horas, manhã, tarde, noite e até de madrugada. Aqui em Recife, isso é uma coisa impensável, mas lá em por pouco não peguei um ônibus depois de meia noite pra descer a duas ruas de onde estava e ir caminhando pra lá tranquilamente, só não fiz porque arrumei uma carona.

O Rio de Janeiro é o esteriótipo do Brasil, uma terra cheia de contrastes. Ao mesmo tempo que se pode andar tranquilamente à meia noite em algumas regiões da cidade, em outras não se pode andar nem ao meio dia. Enquanto eu tirava fotos tranquilamente da praia de Copacabana, não poderia sequer tirar a minhã câmera do bolso em alguns cantos do centro do cidade. Essa mesma cidade não respeita os pedestres, pois não tem calçadas para se andar, seja por ausência ou entulho. Há muitos cariocas mal educados, motoristas de ônibus que queimam paradas ou dirigem avançandos todos os sinais vermelhos. Nos cruzamentos, depois que os sinais de carros fecham, os de pedestres demoram cerca de cinco segundos pra abrir, pois a quantidade de gente que avança sinal vermelho é grande. Eu, em apenas dois dias andando no centro, quase fui atropelado duas vezes. O jeitinho brasileiro e a vontade de levar vantagem sobre os outros é muito visível lá, coisa que não vi em canto nenhum do país que já fui. Seja no taxista querendo botar mais gente do que o permitido no taxi ou numa corrida do mesmo hotel pra mesma universidade que teve dois preços diferentes.

Em resumo, o Rio é o esteriótipo do Brasil. Duas cidades dentro de uma. Uma de primeiro mundo, realmente maravilhosa onde se anda tranquilamente e se tem uma vida muito boa; e a outra de terceiro mundo, onde se anda preocupado com a violência e as condições de vida. É uma cidade que vale a penas se conhecer, pois lá se tem um entendimento melhor do nosso país como um todo. Uma cidade que gostei de conhecer e que voltaria pra terminar de conhecer. Mas não é um lugar que eu gostaria de morar, pois é muito chato viver nesse contraste constante.

Estratégias absurdas, boas e ruins

Hoje, pela primeira vez na minha vida, comprei um sistema operacional original.

Nunca precisei comprar. Meus primeiro computadores vieram com Windows 98 ou XP original. Os outros não vieram, mas na UFPE temos acesso a cópias do Windows gratuitamente. Se não tivesse isso na universidade teria começado a usar Linux bem mais cedo, afinal o poder aquisitivo do brasileiro não permite pagar R$ 499,00 por um programa.

Além do preço alto, a Microsoft ainda contribui com a pirataria de seus próprios produtos com estratégias pouco inteligentes. Na ultima semana ela anunciou o lançamento do Windows 7, nova versão do seu sistema operacional com a seguinte estratégia: para quem tem Windows Vista ou XP e quer usar a nova versão, a recomendação é trocar o computador por um que já venha com o Windows 7, pois não há atualização disponível no Brasil, tem que se comprar uma nova licensa, que deve custar entre R$ 499,00 e R$ 899,00, dependendo da versão. Mas, se você trocar de computador, será acrescido entre R$ 150,00 e R$ 300,00 para incluir o Windows 7.

Além disso, numa casa que possui mais de um computador (o que é comum hoje em dia), uma cópia deve ser comprada para cada um dos PCs. Não existe um pacote para mais de uma licensa e com um bom desconto para estimular a troca do sistema. Apenas empresas com cinco ou mais computadores ganham um insentivo financeiro se for atualizar todos os computadores. Ouvi o caso de um pequeno empresário de São Paulo que comprou quatro máquinas para o seu escritório no começo do ano com Vista e agora tem que comprar novas máquinas caso queira usar o Windows 7 ou pagar entre R$ 1.966,00 e R$ 3.596,00.

Do outro lado... Recente comprei um MacBook que veio com o Leopard (sistema operacional da Apple) gratuitamente. Mês passado eles lançaram uma nova versão, o Snow Leopard com o seguinte programa de atualização: todo mundo que comprou um Mac com Leopard desde janeiro poderia atualizar o sistema operacional para a nova versão pagando apenas os custos de produção e envio, que ficou em R$ 25,00 aqui no Brasil. Quem comprou antes, que foi o meu caso, pagaria R$ 79,90 para atualizar. Caso eu possuisse mais de um Mac poderia comprar um pacote família, que vem com cinco licensas, por R$ 129,00. Com isso, a empresa estimula que as pessoas atualizem o sistema operacional e ainda evita pirataria.

Como eu disse, hoje comprei pela primeira vez um sistema operacional. Juntei com cinco amigos e compramos esse pacote família. Por R$ 25,80 pra cada um vale muito apena pagar para ter o sistema original, com todas as garantias e suporte.

Apple Store chega ao Brasil!

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Para quem usa os produtos da Apple, finalmente a companhia abriu a sua loja autorizada no Brasil. Ela está completa, como a original americana, sendo possível configurar os computadores, gravar o nome nos iPods e iPhones, comprar todos os softwares e acessórios e com a opção de desconto para estudantes e professores. A empresa já tinha revendedoras aqui no Brasil, o que encarecia o preço do produto. Por exemplo, meses atrás comprei um cabo adaptador nos EUA e pedi para um amigo trazer, pois aqui ele custava R$ 119,99 nas autorizadas. Na loja própria da Apple, o mesmo cabo é R$ 59,90.

Vai uma carona ai?

Hoje foi lançado o Bigoo, uma rede social para caronas.

O projeto de alunos da Universidade Federal de Pernambuco tem como objetivo estimular as caronas nas grandes cidades. O sistema, disponível em português e inglês, dá suporte para qualquer trajeto e em qualquer cidade do mundo, pois usa como base o Google Maps. O diferencial dele para as outras soluções para carona, é a segurança. No Bigoo, você pode escolher dar carona só para amigos ou amigos de seus amigos, evitando dar caronas a desconhecidos. Além disso, as pessoas podem ser avaliados pelos que pegam ou dão caronas a ele.

O sistema é super simples de usar e é uma boa alternativa para transporte público e para preencher aqueles carros que circulam com uma pessoa apenas, diminuindo conjestionamento, poluição e até falta de interação entre pessoas do mesmo ambiente de trabalho.

O site é o http://www.bigoo.com.br/

Sugestão dos desenvolvedores: ofertem, primeiramente, aquelas caronas que chamamos de "recorrentes" (trechos feitos com frequência fixa em determinada hora do dia). Custa pouquíssimo tempo ao ofertante, e assim todos teremos maior probabilidade de encontrar a carona que desejamos ao utilizar o serviço.

2,5 anos em 3 meses

O combustível que nossos nobres senadores gastam em 3 meses é o equivalente ao que a minha família gasta em dois anos e seis meses na nossa casa.

Como pode ser visto em [1], o senador Gilberto Goellner (DEM-MT), que também é um dos campeões do uso da verba indenizatória [2], gastou incríveis R$ 26.254,68 nos últimos três meses com combustível, alegando que usou a verba viajando pelo interior do estado para reuniões e eventos públicos. Essa é desculpa mais usada pelos senadores, como pode ser visto em [3].

Se pegarmos a gasolina do Acre, estado que tem o preço médio mais caro do país, com um litro a R$ 3,033, daria para o senador Gilberto, que é suplente, comprar 2.885 litros de gasolina por mês e. Digamos que ele possua um carro que consuma um litro de combustível a cada 6 km rodados, o que é muito quando se fala em carros novos, então ele rodou, por mês, 17.312 km. O suficiente para ir e volta duas vezes do Monte Caburaí ao Arroio Chuí, os pontos mais extremos ao norte e ao sul do país.

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Goellner, um dos campeões de uso de verba indenizatória e de consumo de combustível no senado.

[1] - http://noticias.r7.com/brasil/noticias/r7-traz-o-ranking-dos-senadores-que-mais-bebem-combustivel-20090927.html
[2] - http://www.midianews.com.br/?pg=noticias&cat=1&idnot=1595
[3] - http://noticias.r7.com/brasil/noticias/outro-lado-senadores-justificam-gastos-com-viagens-pelo-interior-20090927.html

Up, Altas Aventuras

É impressionante como Up, Altas Aventuras é um filme maduro, mas ao mesmo tempo divertido. Mais uma vez a pixar acerta com um filme bom para qualquer idade.

O filme conta a história de Carl Fredricksen (brilhantemente dublado por Chico Anysio), que cresceu com o desejo de explorar o mundo junto com a sua esposa, mas que nunca conseguiram realizar esse sonho por causa dos percaussos da vida. Depois que sua mulher morre, ele decide embarcar numa aventura na América do Sul.

Com essa ideia os roteiristas conseguirar criar um filme com uma história divertida e epolgante para as crianças, mas ao mesmo tempo muito interessante para qualquer adulto e cheio de mensagens, simbolismos, como na hora que ele precisa jogar os seus pertences fora de casa para aliviar peso e ela conseguir voar novamente, assim, livrando-se de seu passado, ele poderia seguir em frente.

Fica aqui a forte recomendação para ver este filme, prestando bastante atenção na trilha sonora, que é putaqueparilmente fodastica. Porém, não sugiro ver em 3D, pois o filme é muito colorido e os óculos, por serem escuros, tiram um pouco do charme das cores. Para dar um gostinho, mando aqui o trailler do filme:

Quatro dias úteis na semana

Que tal trabalhar duas horas a mais de segunda a quinta para ter a sexta livre?

Pois bem, isso foi feito em todas as repartições públicas estaduais em Utah (EUA) no ano passado (http://www.parade.com/news/intelligence-report/archive/090906-should-we-switch-to-a-four-day-work-week.html). Essa semana eles pararam para avaliar o novo regime de trabalho e o resultado pode ser considerado um sucesso:

- O governo teve uma economia de 13% só com energia elétrica;
- 12 mil toneladas CO2 deixaram de ser jogadas no ar porque os carros passaram um dia a menos ligado;
- Reduziu o número de engarrafamentos e problemas no trânsito;
- Estima-se que todos os funcionários juntos economizaram US$ 600 milhões com combustível, alimentação e outras despesas;
- 83% dos funcionários públicos aprovaram a idéia, pois tinham um dia a mais para atividades cotidianas.

Os 17% que reprovaram a medida reclamaram que perderam o tempo livre com os familiares que tinham a noite, perdiam eventos esportivos e parte da população que não trabalha em órgão público reclamou que tinha um dia a menos para resolver seus problemas com o governo.

O fato é que, após esses resultados expressivos, nos EUA já começou a se discutir a possibilidade de uma mudança nacional na carga horária do regime de 8-por-5 para 10-por-4. O governo do estado de Nova Iorque já se pronunciou dizendo que a economia para os cofres do estado com essa mudança seria de mais de US$ 30 milhões por ano.

E vocês, o que acham?

Collor é o novo imortal da Academia Alagoana de Letras

Detalhe: sabe quantos livros ele publicou?

Acertou quem respondeu zero!

Collor foi aceito porque publicou sete coletâneas de artigos e discursos publicados em gráficas oficiais, como a do Senado. Para os membros da AAL isso foi considerado como um livro.

Ou seja, para ser um imortal, basta escrever o equivalente a um único livro, mesmo que nenhuma cópia tenha sido vendida.

Se bem que Sarney é um imortal (assim como a sua vida política) da Academia Brasileira de Letras. Mas ele merece, afinal já publicou mais de 20 livros, detre eles e Brejal dos Guajas (1985), que Millôr Fernandes disse se tratar de "uma obra-prima sem similar na literatura de todos os tempos, pois só um gênio poderia fazer um livro errado da primeira à última frase".

"Eu não estou na política por dinheiro"

Não, essa frase não veio de nenhum de nossos representantes.

Quem disse isso foi o primeiro ministro britânico Gordon Brown no programa 1Xtra U Takeover, da BBC. Nele, pessoas de 21 anos que não tem ocupação (estudo e/ou emprego) em tempo integral tinha a chance de fazer perguntas para o seu premier responder.

Uma das pessoas perguntou se ele estaria disposto a ter um corte de salários por causa da recessão. O ministro respondeu que sim, apesar de não dizer quanto de seu salário ele cortaria e que banqueiros deveriam rever a forma como eles distribuem os seus bônus. O vídeo com a pergunta e resposta de Brown pode ser visto aqui:
http://news.bbc.co.uk/newsbeat/hi/the_p_word/newsid_8235000/8235998.stm

Falar é fácil, queria ver se na prática ele realmente iria aceitar um corte nos salários. Mas pelo menos ele não negou logo de cara. Se fosse aqui no Brasil, qualquer um dos nosso políticos iriam dizer que não poderiam reduzir nenhuma remuneração ou tirar nenhuma gratificação porque isso era direito adquirido e, de quebra, por causa da recessão, iam criar uma nova tarifa sobre as transações bancárias para contribuir com a saúde. Pera ai, mas isso eles estão tentando fazer:
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/09/03/nova-cpmf-governo-quer-pressao-de-governadores-para-ressuscitar-css-767449570.asp