Empolgado e Frustrado com Realidade Aumentada!
Ontem eu li um texto interessante no site de uma empresa de Marketing. Intitulado de Frustrado com Realidade Aumentada (texto em inglês), ela fala que a realidade aumentada, ou simplesmente RA, tecnologia que insere elementos virtuais junto a objetos reais, já está bem consolidada para aplicações turísticas, mas ainda não conseguiu gerar impacto em nenhuma outra área, chegando a ser "uma tecnologia em busca de um problema" para solucionar.
Como pesquisador e desenvolvedor de RA, eu tenho que concordar que ele está certo. Mas ao mesmo tempo, está errado.
Se observarmos a maioria dos protótipos, já que hoje temos pouquíssimas aplicações realmente comerciais, vemos que ele está coberto de razão. É sempre mais do mesmo, aplicações praticamente iguais e que, pior do que isso, não acrescentam nada de interessante para o usuário, como constatou o autor. É só o uso da tecnologia porque ela está na moda ou para dizer que é capaz de fazer. Assim, ao final, a pessoa termina de usar a realidade aumentada e pensa: "legal, mas e agora?". Eu poderia listar aqui várias aplicações assim. Uma delas foi um estande de vendas de apartamento onde o usuário segurava um marcador de frente a uma webcam para ver, no monitor, um modelo 3D do edifício. Essa realidade aumentada não acrescentou em nada para o cliente pois no mesmo estande havia uma maquete do empreendimento. Realmente, frustrante.
Entretanto, no mesmo exemplo de uso de realidade aumentada num estande de vendas de um apartamento, podemos chegar a conclusão que RA já é uma tecnologia capaz de solucionar problemas existentes, ou pelo menos melhorar as atuais. Basta ter a criatividade para pensar "fora da caixa". Para ilustrar essa ideia, eu, juntamente com outros pesquisadores do Voxar Labs, debatemos rapidamente esse problema e conseguimos propor um modelo de estande capaz de fornecer informações de forma visual que seriam impossíveis sem a ajuda da realidade aumentada. Por exemplo: o modelo do prédio que o usuário enxerga poderia mostrar um corte detalhado de cada pavimento do edifício - o andar da área de lazer, do estacionamento, do salão de festa - e ao chegar nos de apartamentos, o cliente poderia ver detalhadamente cada planta disponível. Ao escolher a desejada, teria a chance de redecorá-lo e ver como o mesmo ficaria com os seus móveis. Assim, o usuário além de ver de forma tridimensional as informações que estão no papel, ainda poderia interagir com elas. Isto sim seria dar uma experiência totalmente nova para o cliente, algo que ele só consegue com realidade aumentada.
E submeter o cliente a uma aplicação de realidade aumentada dá resultado, pelo menos é o que diz uma pesquisa realizada pela inglesa Hidden: eles constataram que utilizar RA aumenta em 65% a intenção de compra de um produto. A pesquisa também mostrou que os clientes que usaram realidade aumentada pagariam quase 35% a mais quando comparado àqueles que não utilizaram. E há exemplos de contribuição de RA em várias áreas, como marketing, medicina, educação e outras.
Assim, eu acredito que RA é motivo de frustração sim, mas só nas mãos daqueles que não sabem o que fazer com ela e ficam sempre copiando os exemplos corriqueiros usados por todos. Porém, ao botar pessoas com mentes criativas para desenvolver a tecnologia e que sejam capazes de observar criticamente problemas de forma a aplicar realidade aumentada na solução deles, RA é muito empolgante!